O DNIT-RS deverá encerrar o ano com um total de R$ 1,5 bilhão em investimentos no RS, marca que poderá ser superada em 2026, segundo previu hoje o diretor-superintendente da autarquia no RS, Hiratan Pinheiro da Silva, em apresentação no Café da Pesada do SICEPOT-RS. Pinheiro manifestou otimismo sobre os recursos previstos para o estado em 2026, mas explicou que Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2026 (PLOA 2026) enviada pelo Executivo em 29 de agosto está sendo analisado pelo Congresso Nacional e poderá ser modificado por meio de emendas apresentadas por parlamentares individualmente, pelas bancadas estaduais e pelo relator das comissões temáticas.
Sobre a construção de obras para o próximo ano, Pinheiro informou que será lançado o edital nos próximos dias para os itens remanescentes da segunda ponte do rio Guaíba, que inclui quatro alças do lado leste, com necessidade de reassentamento de famílias. O valor total é estimado em R$ 200 milhões.
Entre as principais obras em execução no estado, Pinheiro informou que o PLOA 2026 prevê R$ 80 milhões para as obras de duplicação da BR-116, Guaíba-Pelotas. Até o momento foram executado cerca de R$ 1,6 bilhão ( 84,2%) de um valor global estimado em R$ 1,9 bilhão, tendo sido concluídos 180 km, o correspondente a 85,2% do cronograma. Em tramitação encontra-se o procedimento preparatório para licitação do remanescente dos lotes 1 e 2, de 50 ,8 km, dos quais foram concluídos 43,5 km, o que representa R$ 130 milhões de investimentos.
Do lote 5, de 25,1 km, foram liberados 18,9km (75,3%), com conclusão prevista para o final de 2026, havendo possibilidade de entrega em curto espaço de tempo de mais 4km, com uma necessidade adicional de mais de R$ 70 milhões. Do lote 6, de 26,2 km de extensão, foram liberados 17,3 km, com conclusão prevista para o final de 2026, o que vai representar um adicional de R$ 110 milhões.
Do lote 7, de 21,6, foram liberados 21,3,5 km, com conclusão prevista para o final de 2026, sendo necessários R$ 31 milhões.
Dos lotes 8/9, de 41,7 km, foram liberados 34,5km, com conclusão prevista para o final de 2026, sendo necessário um adicional de R$ 61 milhões.
O lote10 tem conclusão prevista para janeiro de 2026, faltando apenas concluir as obras finais da ponte sobre o rio Camaquã e do viaduto Pompéia.
Pinheiro ainda relacionou o status das seguintes obras: Melhoramentos na BR-116 Porto Alegre-Novo Hamburgo; duplicação da BR-190; 285; travessia Santa Maria BR-158/287; travessia urbana Ijuí BR-285; BR-116 – nova ponte rio Jaguarão; BR-392 ponte Porto Xavier e ponte sobre o rio Ibicuí BR-172.
Lote 4 da BR-392
Sobre o lote 4, da BR-392, de 8,8 km de extensão, Pinheiro informou que projeto básico (parcial) aprovado, deverá ser utilizado como anteprojeto para licitar RDC Integrado, podendo ser incluído na próxima concessão federal que substituirá a Ecosul nas rodovias BR-116/392 .
Trata-se do trecho onde se formam congestionamentos monstro de caminhões forrados de soja em grãos, em todos os anos, entre o fim de abril e o início de maio. Diariamente, centenas de caminhões aguardam para estacionar no Porto de Rio Grande ,dependendo da época desse embarque. Neste ano, completou-se 15 anos deste projeto cujas causas incluíram atraso no licenciamento ambiental e projetos inconclusos ou em revisão.
Orçamento da União para infraestrutura os transportes tem queda em 2026
O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026 estima um Orçamento Total da União de R$ 6,53 trilhões. Deste montante, o valor total programado para investimentos (diretos da União e de estatais) é de R$ 253,17 bilhões, superando os R$ 241,99 bilhões do PLOA 2025.
Apesar do aumento global nos investimentos, os recursos destinados à infraestrutura de transporte sofreram uma redução, passando de R$ 17,40 bilhões (PLOA 2025) para R$ 16,05 bilhões no PLOA 2026.
Presidente da Areop, Ricardo Portella, chamou atenção para a carência de recursos da União para investimentos em infraestrutura dos transportes. Depois de defender o repasse de recursos da Cide ( Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) que devem ser aplicados obrigatoriamente no setor, o que não está se processando, ele assinalou que , no país, persiste uma inversão de valores. Enquanto o governo federal reservou R$ 170 bilhões para o Bolsa Família em 2025, a infraestrutura, vital para o desenvolvimento de um país, deverá ter seus recursos reduzidos.
Rafael Sacchi, presidente do SICEPOT-RS, após a apresentação de Pinheiro, afirmou que o RS como detentor da segunda malha rodoviária federal do Brasil, superada apenas pelo estado da Bahia, deveria receber um volume de recursos orçamentários de forma proporcional a sua importância. “São muitas as demandas, mas os recursos são insuficientes. Além disso, vamos ter um processo eleitoral em 2026, o que sempre traz incertezas”.