O avanço das obras de reconstrução e reforço das rodovias gaúchas, integradas ao Plano Rio Grande, enfrenta um cenário de “gargalos” operacionais. Segundo Rafael Sacchi, presidente do SICEPOT-RS, embora o cronograma siga ativo, a escassez de profissionais qualificados além do custo crescente de insumos e equipamentos impõem desafios severos ao setor.
Para Sacchi, o maior entrave não é financeiro, mas humano e logístico. O setor sofre com a falta de operadores, mão de obra de base e, principalmente, de engenheiros multidisciplinares.
“Precisamos de profissionais gabaritados. Há escassez de engenheiros chefes de obras e projetistas. São intervenções complexas que exigem um nível de especialização que o mercado não está conseguindo suprir de imediato”, afirma o presidente do Sicepot.
A dificuldade se estende à esfera pública. O DAER também enfrenta carência de quadros para a fiscalização e aprovação de projetos, enquanto a Secretaria de Transportes mantém um controle rígido sobre o prazo de três meses para a entrega dos projetos executivos.
Outros entraves
Além de escassez de profissionais, outros entraves citados por Sacchi incluem jazidas de pedreiras as quais, em muitas vezes, estão distantes dos canteiros ou são de pequeno porte, exigindo adaptações constantes para a britagem. A sazonalidade na entrega do asfalto por parte da Petrobras, de outra parte, gera incertezas no fluxo de trabalho. Quanto ao maquinário, Sacchi diz que estão sob a lei da oferta e procura, máquinas e equipamentos estão cada vez mais caros, gerando déficit financeiro nas empresas dependendo da região.
Sacchi também demonstra preocupação com o direcionamento de recursos federais. Dos cerca de pouco mais de R$ 1 bilhão previstos pelo DNIT para o Rio Grande do Sul em 2026, cerca de R$ 900 milhões devem ser consumidos exclusivamente por obras de reconstrução. Na sua visão, essa concentração de recursos pode deixar a desejar na manutenção rotineira de outras vias que não foram atingidas diretamente pelas cheias, mas que sofrem com o desgaste natural.
Apesar do cenário complexo, o presidente do Sicepot mantém o otimismo: ele acredita que, com os ajustes necessários e o esforço das empresas, o setor conseguirá entregar as obras dentro dos prazos estipulados.
Ao todo, o Plano Rio Grande prevê mais de 50 obras em rodovias e pontes, com o potencial de gerar 15 mil postos de trabalho diretos no estado.
Obras em execução:
Em obras de rodovias: cinco lotes estão liberados para execução ao total de R$ 409 milhões.
08 ERS-826- Feliz e Alto Feliz
09 ERS-129- Estrela-Roca Sales
11 ERS-348-Agudo e Dona Francisca
12 ERS-348-São João do Polésine a Dona Francisca
15 ERS-640-Cacequi e Rosário do Sul
Em obras de pontes: sete estão em andamento ao total de R$ 91,45 milhões.
03 ERS-431- Rio Taquari-São Valentin do Sul
04 VRS-843- Rio Cai-Feliz
05 ERS 417- Rio Três Forquilhas-Itati
06 ERS-471- Arroio Marcondes-Sinimbu
07 ERS-348 – Arroio Guarda Mor-Faxinal do Soturno
08 ERS 348 – Rio Soturno-Faxinal do Soturno
10 ERS 507 – Arroio Capivari-Alegrete
Fonte: Secretaria de Logística e Transportes do RS (SELT-RS)