Linha amarela recua 1% em 2025  sobre o ano anterior ; mercado de locação alcança 30% da mecanização no Brasil

O mercado brasileiro de equipamentos de construção — a chamada “linha amarela” — encerrou 2025 com uma queda de 1% em comparação ao ano anterior.  Ao todo foram comercializadas  34,5 mil máquinas comercializadas.  Somadas às demais categorias, o volume total de máquinas atingiu a marca de 56,3 mil unidades, consolidando o período entre os cinco melhores indicadores de toda a história do setor no país,  segundo Eurimilson Daniel, vice-presidente da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos),

Para  Daniel ( na foto), o desempenho de 2025 reflete um desempenho auspicioso da cadeia produtiva, especialmente diante de um cenário global de ajustes. “Sustentamos uma quantidade importante de máquinas, movida pelo crescimento da locação e pelo aumento de investimentos em infraestrutura, saneamento e urbanização”, afirma o executivo.
A estabilidade do mercado é sustentada sobre um tripé estratégico: mineração, agronegócio e infraestrutura. De acordo com Daniel, as concessões rodoviárias e de saneamento, cujas obras já estão em andamento, trazem uma “previsibilidade e segurança” essencial para os fabricantes e investidores.

No segmento rodoviário, especificamente, o movimento de concessões elevou o patamar de investimentos em até 15 vezes em relação ao passado recente. “Trata-se de um cenário muito favorável, pois as máquinas operam em projetos de longo prazo, com alta produtividade garantida por fundos de investimento, minimizando o impacto direto das oscilações de governo”, pontua o vice-presidente.

Apesar da pressão inflacionária, os preços dos equipamentos, segundo ele, seguem em patamares considerados atrativos. A entrada de novos players — especialmente fabricantes chineses com venda direta — aliada à robustez das marcas tradicionais já instaladas no Brasil, criou um ambiente de alta competitividade que segura os valores. “Uma questão relevante em relação aos preços é o crédito, que encarece o valor final do produto, em função das altas taxas de juros e das limitações do próprio financiamento”, relata Daniel.

De acordo com Daniel, m dos destaques do setor é a linha de miniequipamentos a qual ainda tem um vasto campo para expansão. Além de preços mais acessíveis, elas substituem a mão de obra em aplicações complexas, como obras em pontes e viadutos, entregando alta produtividade com custo-benefício superior.

Uma das tendências mais nítidas apontadas pela Sobratema é a migração da posse para o uso. Atualmente, o mercado de locação (rental) responde por cerca de 30% da mecanização no Brasil. No entanto, a expectativa é de que o país se aproxime de mercados globais consolidados, no qual  esse índice chega a 60%.

“O setor de locação está muito bem estruturado, assumindo o risco do investimento para entregar produtividade na ponta. O Estudo de Mercado aponta que os grandes compradores de máquinas no futuro serão os locadores”, explica Eurimilson Daniel.

Perspectivas para 2026

Para o ano que se inicia, a Sobratema enxerga um crescimento sustentado. Otimismo que se ancora na diversidade tecnológica da indústria nacional e em novos estímulos governamentais ao crédito, como o Finame Inovação.
Mesmo em um ano de grandes eventos como a Copa do Mundo e eleições, a avaliação é de que o impacto no setor será limitado. “As concessões operam sob regras já definidas e a produção de alimentos e minério é contínua. A demanda reprimida em habitação, somada à tendência de queda da taxa Selic, pode inclusive acelerar obras neste início de ano”, conclui Daniel.