O setor de infraestrutura de transportes inicia 2026 em um cenário de dualidade: de um lado, a agilidade recorde na liberação de recursos; de outro, a certeza de que o caixa atual não chegará ao fim do ano. Em balanço recente, o presidente da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (ANEOR), Danniel Zveiter, afirmou que o orçamento aprovado pelo Congresso Nacional está “muito abaixo” do necessário para garantir a manutenção das rodovias e a conclusão de obras de ampliação.
Uma das principais conquistas da ANEOR neste início de ano foi a articulação junto aos Ministérios dos Transportes, Fazenda, Planejamento e Casa Civil para a liberação imediata de 80% da Lei Orçamentária Anual (LOA). A medida visa acelerar o cronograma de empreendimentos.
“É uma decisão muito importante para o setor. Temos agora a possibilidade de concluir algumas obras e o DNIT já está processando os empenhos”, destaca Zveiter.
Entretanto, o montante de R$ 13 bilhões destinado ao DNIT é visto como um teto baixo. O presidente da ANEOR prevê que o governo precisará suplementar o orçamento antes da metade do ano. “Caso isso não aconteça, teremos um cenário de dificuldades graves para o fechamento do ano, embora não chegue a ser uma crise sistêmica”, projeta.
Além do desafio financeiro, o setor enfrenta uma “carência de mão de obra em todas as etapas da construção”. Segundo Zveiter, as empresas têm recorrido à contratação de profissionais de regiões distantes, o que gera custos extras com transporte e alojamento que não são ressarcidos pelos contratantes.
A ANEOR defende duas frentes emergenciais junto ao Governo Federal: Programas de capacitação em larga escala para engenheiros e técnicos. E linhas de financiamento específicas para que as empresas possam renovar o parque de máquinas e equipamentos.
No campo administrativo, a regulamentação do BDI Diferenciado para produtos asfálticos (com decisão favorável do TCU) e as novas regras de Reequilíbrio Contratual estão em fase final de publicação.
“A expectativa é que teremos soluções para reduzir os riscos para as empresas. O setor de infraestrutura precisa de segurança orçamentária e financeira para planejar a execução. A mobilização de recursos é alta e precisamos de garantias de que os pagamentos seguirão o cronograma”, reforça o executivo.
Para alinhar a execução das obras aos recursos disponíveis, a ANEOR solicitou uma reunião técnica ainda para este mês com o DNIT. O encontro deve reunir outras entidades do setor, como ANETRAMS, ABEETRANS e ABEDA, para planejar as ações conjuntas de 2026.
Situação das rodovias federais
A Pesquisa CNT de Rodovias, de 2025, realizada pela Confederação Nacional do Transporte, mostrou que houve uma leve estagnação na recuperação da malha federal após o pico de investimentos de 2023-2024. Aproximadamente 40% a 45% da malha federal foi avaliada como regular, ruim ou péssima.
O maior gargalo continua sendo a fadiga estrutural devido ao excesso de carga . O aumento médio do custo operacional do transporte devido às deficiências no pavimento das federais gira em torno de 30% a 33%.
Já as rodovias federais sob gestão de concessionárias mantêm índices de aprovação acima de 75%. A CNT destaca a necessidade de um investimento bilionário para “reconstruir” trechos que já não suportam remendos. Segundo a entidade, para recuperar as rodovias no Brasil, com ações emergenciais – reconstrução e restauração- e manutenção são necessários R$ 101,10 bilhões
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