Mais do que concreto e aço, a infraestrutura global agora é pautada pela urgência social e pela resiliência. Esta foi uma das conclusões da reunião do Conselho Executivo da Federação Interamericana da Indústria da Construção (FIIC), que se em encerra hoje em Santiago do Chile, segundo o presidente do SICEPO-RS, Rafael Sacchi, que fez parte da comitiva brasileira como vice-presidente da CBIC e membro do Conselho de infraestrutura da FIIC.
Além de Sacchi, o Brasil esteve representado por Fernando Guedes (presidente executivo da CBIC), Marcus Mauro (presidente do Sinduscon-PR Noroeste e vice-presidente da CBIC) e Murilo Allevato (vice-presidente da CBIC e da FIIC) .
“Estamos encerrando este encontro muito produtivo para o Brasil. Com 16 delegações presentes e 23 membros do conselho diretivo, buscamos caminhos comuns para os problemas que enfrentamos no cenário brasileiro. O objetivo é articular medidas práticas para o desenvolvimento da construção civil e da infraestrutura, combatendo o déficit mundial para melhorar a vida de quem mais sofre com a falta de moradia adequada. Levamos para o Brasil projetos inovadores e modelos de financiamento via bancos interamericanos que podem transformar nossa realidade”, relatou Sacchi.
Ao destacar o impressionante déficit mundial de US$ 93 trilhões da infarestrutura, Sacchi sublinhou que a busca por soluções compartilhadas entre as 16 delegações presentes em Santiago é o caminho para destravar projetos de habitação e logística. A meta é clara: articular medidas práticas e modelos de crédito internacional que transformem a realidade das populações mais vulneráveis no cenário brasileiro.
O encerramento do evento foi selado pela lavratura da “Declaração de Santiago”, um documento que servirá de balizador para negociações junto ao Banco Mundial e ao BID. Os pilares do documento são: 1- Uma engenharia que suporte e se recupere rapidamente de eventos climáticos extremos — um ponto vital para a reconstrução de infraestruturas afetadas. 2- Estabelecimento de metas rígidas para a redução da pegada de carbono, incentivando a economia circular e o uso de materiais sustentáveis nos canteiros de obras públicos e privados. 3- Assinatura de um protocolo para a padronização do BIM (Building Information Modeling) em toda a América Latina, permitindo que empresas brasileiras e vizinhas operem com a mesma linguagem tecnológica em projetos transnacionais.
O combate ao déficit habitacional foi reafirmado não apenas como meta econômica, mas como dever social, com foco em integração urbana e qualidade de vida.
A próxima reunião do Conselho Diretivo da FIIC está agendada para o dia 29 de setembro de 2026, em San José, Costa Rica.