CNT lança Plano de Transporte e Logística 2026 com mais de 2,8 mil projetos para o setor

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) apresentou o Plano CNT de Transporte e Logística 2026, estudo que mapeia a infraestrutura nacional e propõe intervenções prioritárias para a modernização da malha de transporte no Brasil. O levantamento reúne uma carteira com 2.837 projetos focados em integrar e expandir a capacidade logística do país, com um montante necessário de R$ 2,03 trilhões.

A publicação abrange propostas estratégicas direcionadas aos modos rodoviário, ferroviário, aquaviário e aeroviário, além de melhorias operacionais em terminais de carga e passageiros. O objetivo central do trabalho é fornecer diretrizes técnicas fundamentadas para orientar o direcionamento de investimentos públicos e privados.

Ao propor soluções estruturais para reduzir gargalos no escoamento e no deslocamento, o plano busca impulsionar a eficiência intermodal, reforçar a segurança nas vias e aumentar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado global.

Os principais investimentos propostos no plano, as áreas prioritárias estruturadas pela CNT concentram-se nas seguintes frentes:

  • Modal Rodoviário: Foco na duplicação de rodovias de alto fluxo, pavimentação de trechos críticos e eliminação de pontos críticos para redução do custo operacional do transporte.
  • Modal Ferroviário: Projetos voltados para a ampliação da malha de trilhos, interconexão entre regiões produtoras e portos, e aumento do volume de carga geral transportado.
  • Modal Aquaviário: Intervenções direcionadas à dragagem e adequação de vias navegáveis interioranas (hidrovias) e modernização das infraestruturas portuárias.
  • Modal Aeroviário: Obras de expansão de pistas, pátios e capacidade de movimentação de carga aérea em aeroportos regionais e estratégicos.
  • Terminais e Logística Intermodal: Investimentos voltados ao fortalecimento da integração física e operacional entre os diferentes modos de transporte.

A discriminação das intervenções se divide em duas frentes de atuação e pelos diferentes modais e infraestruturas logísticas do país:

Divisão por objetivo estratégico

  • Integração nacional (2.509 projetos): Intervenções focadas nas grandes rotas de escoamento, conexão inter-regional e integração com corredores internacionais.
  • Mobilidade urbana (328 projetos): Projetos voltados para a melhoria do transporte coletivo e do deslocamento de passageiros nos grandes centros urbanos.

Discriminação por modal e volume de investimento: 

Modal / Setor Volume Estimado de Investimento Foco Principal das Intervenções
Ferroviário R$ 1,1 trilhão Construção de novas ferrovias, ampliação da malha e interconexão de regiões produtoras a portos.
Rodoviário R$ 511,5 bilhões Duplicação de rodovias (como 152 obras cobrindo 10,3 mil km a R$ 163,4 bi) e eliminação de pontos críticos.
Hidroviário R$ 173,1 bilhões Adequação e ampliação de vias navegáveis e hidrovias no interior do país.
Infraestrutura Portuária R$ 125,1 bilhões Obras de dragagem, expansão e modernização de berços de atracação nos portos.
Terminais e Intermodalidade R$ 36,9 bilhões Estruturação de pontos de transbordo e plataformas logísticas intermodais.
Aeroportos R$ 28,3 bilhões Expansão de pistas, pátios de aeronaves e terminais de passageiros/cargas regionais e estratégicos.
Aquaviário (Operacional) R$ 7,5 bilhões Melhorias operacionais na frota e navegação de cabotagem e interior.

Com base nas frentes prioritárias e na proposta estrutural , o documento deixa implícitos os seguintes gargalos estruturais no Brasil:

  • Predomínio e sobrecarga do modal rodoviário: A concentração expressiva do transporte em rodovias, muitas vezes com trechos em pavimentação inadequada ou pista simples, eleva os custos operacionais do frete e o risco de acidentes.
  • Subaproveitamento da intermodalidade: A falta de integração eficiente entre ferrovias, hidrovias e rodovias impede o escoamento rápido de safras e insumos industriais até os portos e grandes centros.
  • Capacidade limitada no transporte de cargas pesadas: A malha ferroviária e as vias navegáveis interiores ainda operam aquém do seu potencial, gerando gargalos logísticos em rotas de longa distância.
  • Estrutura portuária e aeroviária comprimida: Necessidade contínua de ampliação de dragagens, terminais e pátios de carga para suportar o volume crescente do comércio exterior e da logística nacional.