Como o descompasso entre a LOA e o planejamento físico desafia obras no RS

A gestão de obras de infraestrutura no Brasil enfrenta um desafio estrutural que vai muito além da engenharia: a dicotomia entre o planejamento de longo prazo e a rigidez do orçamento anual (LOA). Em  pronunciamento no evento da CBIC,  na Fiergs , Hiratan Pinheiro , superintendente regional do DNIT, foi enfático ao desmistificar a percepção de que o orçamento aprovado para uma obra em seu início é uma cifra imutável. Projetos de grande vulto, com horizontes de entrega de 3 a 4 anos, frequentemente colidem com a volatilidade da execução, relatou.

Um exemplo prático citado ilustra bem essa dinâmica: uma obra iniciada com orçamento de R$ 347 milhões que, ao longo do tempo, atingiu a marca de R$ 509 milhões. Esse incremento não reflete apenas custos de engenharia, mas a necessidade de adequação às janelas orçamentárias, e ajustes contratuais necessários para manter o ritmo de execução, explicou.
A análise do comportamento orçamentário entre 2018 e 2026, por exemplo, revela cenários distintos. Pinheiro utilizou a  BR-116 Sul como estudo de caso para explicar a “curva de decréscimo”.

Mesmo com um início robusto, a obra  revela uma gestão que depende da disponibilidade orçamentária constante — algo que nem sempre acompanha a realidade física da obra.
Em contraste, projetos como as obras na BR-116 Norte demonstram uma trajetória de crescimento. Com suplementações que chegaram a R$ 100 milhões  em um único exercício, essas obras ilustram o que o DNIT classifica hoje como “gestão de empreendimentos”: a busca por uma aceleração do ritmo através de suplementações sacramentadas, garantindo que a fluidez da obra seja mantida.

A mensagem que fica para o setor de engenharia e para a sociedade é a de que a infraestrutura no Rio Grande do Sul depende de uma gestão dinâmica. Com uma demanda adicional,  neste ano, estimada em cerca de R$ 400 milhões, apenas para a complementação de obras de construção, o DNIT reafirma que o planejamento técnico é apenas a metade do caminho.
“A outra metade reside na habilidade de navegar pela “LOA 2026″ e pelas suplementações necessárias, garantindo que o canteiro de obras não seja refém da imprevisibilidade orçamentária.
O superintendente deixou claro: a engenharia dimensiona o projeto, mas é a gestão orçamentária que define a viabilidade temporal de cada quilômetro entregue”, acrescentou.

Pinheiro completou sua apresentação com um quadro sobre as principais obras que estão sendo executadas no RS como a duplicação da BR-116,  da segunda ponte do Guaíba, duplicação da BR-290, implantação da BR-285,da Travessia urbana de Santa Maria, Travessia urbana de Ijuí, e da elaboração dos projetos básicos da nova ponte sobre o rio Jaguarão e Porto Xavier.