Sem modal ferroviário, RS corre o risco de ver empresas migrarem para outros estados, diz Magalhães

No encontro de incorporadores e construtores da CBIC, realizado na Fiergs, com mediação do presidente do SICEPOT-RS, Rafael Sacchi,  o secretário de Logística e Transportes do RS,  Clóvis Magalhães detalhou  os investimentos recordes e os desafios estruturais para a reconstrução e o desenvolvimento da logística no Rio Grande do Sul.

Segundo ele, a crise climática recente levou o Rio Grande do Sul a uma situação de inviabilidade logística temporária. A resposta do governo estadual se consolidou através do Plano Rio Grande, estruturando uma carteira de investimentos históricos que soma R$ 3,8 bilhões gerenciados pela Secretaria de Transportes, com recursos compostos via Funrigs .

Magalhães defendeu a importância da medida adotada pelo executivo, ponderando que enquanto áreas como Saúde e Educação já possuem modelos de financiamento mais consolidados, a infraestrutura rodoviária e de transportes ainda vive em uma eterna busca por patamares estáveis de investimento.

O secretário também deu ênfase aos investimentos do Plano Rio Grande para o modal hidroviário – considerado o melhor em termos de sustentabilidade e custo-benefício para a operação logística -, que recebeu  R$ 731 milhões (também via Funrigs) numa extensão de 140 kms.

Ele destacou que todas as principais hidrovias ligadas ao Porto de Rio Grande já estão com as obras de dragagem concluídas, garantindo a qualidade e a navegabilidade dos canais navegáveis do Estado.

O transporte aeroviário também recebe atenção com foco na melhoria da qualidade e infraestrutura regional, com licitações que atraíram  investimentos de R$ 36,1 milhões nos aeroportos de Santo Ângelo e  Passo Fundo.

O ponto mais crítico da apresentação tratou do desinvestimento histórico sofrido pela ferrovia federal no RS ao longo dos últimos 30 anos. Hoje, o modal é considerado praticamente “ausente” da logística gaúcha, com uma perda severa que reduziu drasticamente a malha ativa em cerca de 900 km, além de reduzir o pontencial da multimodalidada, essencialpara a redução dos custo logstico.

“Sem modal ferroviário, RS corre o risco de ver empresas migrarem para outros estados”, diz Magalhães

Segundo o secretário, o estado pleiteia a abertura de um diálogo real com o governo federal. A crítica é de que os modelos atuais ignoram o pacto federativo e a visão das administrações estaduais que efetivamente compreendem as demandas locais. “ O futuro econômico do Rio Grande do Sul depende obrigatoriamente da integração eficiente entre ferrovias, portos, hidrovias e rodovias”, sustentou.

Ele concluiu lembrando que os estados  do Codesul lançaram edital por meio do BRDE a fim de contratar estudos de forma  independente para contrapor à proposta do governo que prevê a divisão da Malha Sul em três pedaços (Paraná, Corredor Mercosul e Malha Gaúcha).

” Há um paradoxo logístico histórico e agravado no Rio Grande do Sul: enquanto os terminais privados e públicos do Porto de Rio Grande passaram por modernizações e expansões — elevando a capacidade de recepção ferroviária —, a ferrovia que traz a carga encolheu e se degradou”, sustentou.