O ENIC 2026 (Encontro Internacional da Indústria da Construção), organizado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), encerrado no dia 21 de maio no Distrito Anhembi, em São Paulo, consolidou debates urgentes e estratégicos para o setor.
Para Luciano Busnello Amorim, vice-presidente do Sicepot-RS, a tecnologia não é mais um horizonte distante, mas uma urgência operacional. “O uso de Inteligência Artificial está bastante difundido na gestão das obras de construção predial, porém, nas obras de infraestrutura, ainda está começando. É uma tecnologia que temos que incorporar rapidamente para melhorar a produtividade, suprir a falta de mão de obra e reduzir custos”, afirma.
Ao analisar o impacto do evento para o contexto gaúcho, Amorim aponta que as “dores” discutidas no ENIC ecoam fortemente nas empresas de construção pesada do estado. “No Rio Grande do Sul, assim como no Brasil todo, as empreiteiras que trabalham com obras de infraestrutura vivem uma grande pressão: contratos públicos com margens apertadas, alta de insumos agravada pelo cenário geopolítico internacional, especialmente os conflitos que aumentam os preços de derivados de petróleo, e a dificuldade crescente de formar e reter equipes técnicas e a constante falta de direcionamento de recursos do governo para o setor de infraestrutura”, afirma.
Além disso, a implantação da Reforma Tributária surge como uma preocupação central, exigindo atenção dobrada dos gestores, completa..
Um dos pontos de alta relevância discutidos durante o evento é a mudança de paradigma sobre inovação e sustentabilidade. Segundo ele, o que antes era visto como um “diferencial” agora faz parte da base competitiva das empresas.
“A incorporação das práticas de ESG deixou de ser opcional e se consolidou. Para a construção pesada, isso significa que obras de infraestrutura precisarão, cada vez mais, incorporar critérios ambientais desde a fase de projeto”, explica.
Para o dirigente, ferramentas como a IA, o BIM (Building Information Modeling) e a gestão preditiva de dados são os pilares que permitirão a empresas de todos os portes alcançarem maior previsibilidade e menor impacto ambiental.
Do debate à prática
Após o evento, o desafio passa a ser a aplicabilidade das conclusões. Para Amorim, a efetividade das discussões sobre temas como o fim da escala 6×1, a formação de novos engenheiros e a própria agenda de infraestrutura, dependerá da continuidade dos debates.
“O Sicepot-RS vai levar para dentro de casa os temas abordados no ENIC, continuando os debates iniciados no estado. O desafio é sempre transformar os ricos debates em ações concretas, tanto por parte do governo quanto dentro das empresas”, conclui.