RS começa a ganhar novo patamar logístico e passa a disputar investimentos de grandes players com as obras da CCR ViaSul

Por Milton Wells

O Rio Grande do Sul começa a ganhar um novo patamar logístico com o avanço das obras da BR-386, conhecida como Estrada da Produção, que serve de escoamento do Vale do Taquari, região detentora do segundo maior nível de produtividade rural do estado.

 Para este ano, entre as obras de maior envergadura e porte, a concessionária CCR ViaSul deu andamento ao primeiro trecho da duplicação da rodovia localizada entre  os municípios de Marques de Souza e Lajeado. Em junho serão iniciadas as obras da construção da faixa adicional entre Lajeado e Estrela. Também está prevista a construção de novas interseções e passarelas para melhoria dos acessos a municípios.

A duplicação da BR-386, de 225,2 quilômetros, tem data contratual para conclusão em 2030. Os trechos um (Marques de Souza a Lajeado) e dois (Lajeado a Estrela) da duplicação, segundo a assessoria de imprensa da empresa, têm conclusão prevista para 2023.

 Desde o início do contrato de concessão da RIS ( Rodovia de Integração Sul), que compreende as BRs 101; 290; 386; 448, no RS, e se iniciou em janeiro de 2019, a CCR ViaSul investiu, ao total, R$ 950 milhões.
Para este ano, a previsão é de cerca R$ 570 milhões e para o período de 2022 a 2024, a concessionária programou um montante de R$ 1,2 bilhão, dos quais R$340 milhões da duplicação da BR-386, cerca de R$270 milhões em obras de recuperação de pavimento, aproximadamente R$ 440 milhões em implantação de passarelas, vias marginais, faixas adicionais e cerca de R$ 8 milhões na implantação dos PGFs ( Postos Gerais de Fiscalização)  na BR101 e BR386.

Logística

De acordo com a economista, Maria Carolinas Gullo, da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC), de Caxias do Sul, as rodovias que fazem parte da RIS estão entre as de maior importância para a economia gaúcha. Com as obras, segundo Maria Carolina, além do incremento do PIB, o estado deverá reduzir seu custo logístico, hoje estimado em 20% do PIB. “Sem qualquer dúvida, o RS passará a disputar grandes investimentos, dada às conexões dessas rodovias que viabilizam escoamentos de produção, tanto da indústria como do setor agrícola para o mercado nacional e o exterior”.

Tributos

Além da melhoria da qualidade das rodovias que fazem parte da concessão, a CCR ViaSul já repassou cerca de R$  75 milhões de tributos aos 15 municípios lindeiros às BRs.

Os valores a serem aplicados na RIS ao longo dos 30 anos de concessão totalizam R$ 13,4 bilhões, dos quais R$ 7,8 bilhões são para investimentos em CAPEX e R$ 5,6 bilhões para custos operacionais.

Contratações
Em relação ao número de colaboradores, a empresa informou que  atualmente opera com 712 contratados, a maioria de forma fixa, mas também se utiliza de intermitentes que são acionados em momentos específicos para suprir a demanda, principalmente em feriados.

 O estado com maior número de colaboradores é o Rio Grande do Sul, liderado pelo município de Gravataí. Para a contratação de pessoal, a CCR ViaSul realiza ambientações e treinamentos, mas qualificação e experiência prévia são requisitos em grau condizente com cada função.

Sobre o atendimento aos usuários, a empresa informou que são realizadas diversas ações corretivas, como atendimento médico em acidentes —  as  viaturas de resgate chegam em qualquer ponto da rodovia em menos de 15 minutos — , atuação em eventos que podem causar acidentes, além de auxílio aos motoristas de veículos com avarias.

 Em relação a acidentes com vida, a concessionária  informa que  houve uma redução de 11% no número de óbitos na ViaSul de 2019 comparado com 2021, considerando 2020 como ano atípico de tráfego geral em todas as rodovias, por conta do ápice da pandemia de Covid-19. A principal causa estatística é de falhas humanas, como imprudência e desatenção, com mais de 90% das ocorrências.