Os cenários e os desafios que Rafael Sacchi irá enfrentar em novo mandato à frente do SICEPOT-RS

Reeleito em chapa única na eleição realizada hoje à tarde, juntamente com o engenheiro Ricardo Portella na presidência da AREOP,  o presidente do SICEPOT-RS, Rafael Sacchi, afirma que o setor da construção pesada se defronta com inúmeros desafios na busca de maior estabilidade e qualificação dos serviços. Um dos principais se refere à precificação das obras, que, segundo ele, está defasada da realidade, o que vem em prejuízo dos compromissos das empresas de gerar mais empregos, desenvolver novas tecnologias e investimentos.  A seguir os principais trechos de sua entrevista:

Quais os destaques de seu mandato no período 2021-2023?

Uma das nossas metas era de ampliar o número de associados. Antes do atual mandato o número de associados era 48 e hoje chegamos a 60, ainda muito abaixo do potencial de um setor responsável pela demanda da infraestrutura gaúcha que detém uma das maiores malhas rodoviárias do país.  Acreditamos que com muito trabalho e empenho podemos contribuir para um processo de solidez e liquidez de nossas empresas, o que deve ter continuidade no segundo mandato que se inicia em outubro. O sindicato também está ampliando seu espaço no cenário politico com o incremento dos investimentos do governo federal, estadual e dos municípios. Temos sido procurados sobre a melhor destinação de recursos em investimentos, e isso retoma o dinamismo da entidade como expert em conduzir investimentos em infraestrutura com qualidade. O sindicato também voltou a desenvolver ações institucionais, com a difusão de parcerias de interesse dos associados nas áreas jurídicas, de ensino e tributária. Voltamos a produzir material informativo para o setor com o lançamento da revista INFRA -RS que deve avançar por meio de parcerias no sentido de levar o melhor conteúdo sobre  a infraestrutura gaúcha às partes interessadas. Também levamos o sindicato às empresas no sentido de que “o SICEPOT pode fazer por você”, para que possamos entender as dificuldades mercadológicas de cada empresa associada.

Um dos pontos altos dessa gestão foi a participação da entidade como patrocinadora de eventos importantes…

Exatamente.  No ano passado, o SICEPOT – RS foi patrocinador máster do 24º Enacor (Encontro Nacional de Conservação Rodoviária) e 47ª RAPV (Reunião Anual de Pavimentação), de 9 a 12 de agosto, em Bento Gonçalves. Trata-se de um dos maiores eventos de transporte e logística do país, em que se busca a troca de experiências, de informações, de conhecimentos, de novas tecnologias e soluções de engenharia, em que compareceram quase mil pessoas de todo o país. Também patrocinamos o South Summit Brazil – o maior evento de tecnologia do mundo- que, neste ano, foi realizado em Porto Alegre, de alto impacto social e transformação, provando que a inovação pode mudar a vida das comunidades. Enfim, procuramos sempre inserir o Sindicato naquilo que for de interesse da sociedade na qual a engenharia se insere e para quem a engenharia produz. Ou seja, transforma e lapida caminhos para que o desenvolvimento econômico e social seja possível.

Como vê os cenários do setor para este ano?

Passamos por dificuldades entre 2012-2016, com baixo volume de investimentos devido à péssima situação fiscal do governo federal.  Esse interregno trouxe profundas marcas ao setor que ainda dependerá de um tempo para recuperar-se. O fato é que  ficamos muito enfraquecidos com a queda nos investimentos e a crise fiscal.  No RS, a situação financeira herdada por José Ivo Sartori não permitiu maiores avanços. Sartori conseguiu dar continuidade a alguns programas contratados, mas devido à situação herdada do governo anterior o governador não conseguiu contrair empréstimos para atender as demandas de rodovias.   A partir do governo do Eduardo Leite, o RS começou a recuperar os investimentos, chegando a cerca de R$ 650 milhões, em 2021, enquanto o Dnit respondeu igualmente pelo mesmo valor. Já em 2022, o Executivo estadual aplicou cerca de R$ 1 bilhão por meio do Plano de Obras, trazendo novo alento ao setor. No mesmo ano, com cerca de R$ 650 milhões, os recursos do Dnit mais uma vez foram insuficientes. Para este ano, a informação que dispomos é de que o Daer deverá este ano aplicar no setor entre R$ 800 milhões e R$ 900 milhões, com o Dnit projetando R$ 1,8 bilhão, o que deve ficar em torno de R$ 1,2 bilhão.   

Nessa atual conjuntura qual a maior preocupação do setor?

Nossa maior preocupação é com o equilíbrio fiscal. Esperamos que o Executivo e o Legislativo consigam ter o discernimento e a competência para que o orçamento não extrapole de tal forma que venha a afetar o setor como ocorreu anteriormente em que não conseguimos pagar nossos fornecedores devido ao não cumprimento de contratos do governo federal.

 Como o SICEPOT-RS avalia  a irregularidade de recursos destinados ao setor nos últimos anos?

No RS, sabemos que os recursos para a construção de estradas são escassos. Existe sinalização de que os recursos obtidos com a privatização da Corsan não serão aplicados na infraestrutura. Entendemos que todo o tipo de serviço de infraestrutura nasce dos municípios os quais devem ter prioridade. Por isso, é preciso desenvolver uma solução de apoio ao financiamento aos municípios, por meio da criação de uma espécie de fundo PYMES criado pelo Banco Mundial com parte dos recursos da privatização da Corsan para que os municípios possam desenvolver a infraestrutura e mobilidade urbana. Esse fundo seria gerido pelo Badesul que tem a finalidade de fomentar a atividade econômica do Estado. Dentro de seis meses, o dinheiro já começaria a retornar para o fundo de modo a permitir novos financiamentos. Assim, mesmo em períodos de baixa atividade econômica como em épocas eleitorais, os municípios poderiam assumir investimentos.

Quais as metas para o próximo mandato?

Nesse nosso primeiro  mandato  nos dedicamos mais a equilibrar as contas do sindicato e agora vamos seguir captando mais associados e a mostrar o trabalho que fizemos nesses anos. Existem trabalhos jurídicos, técnicos, o que faz com que essa expertise seja cada vez mais conhecida pelas empresas e que vem tendo uma boa repercussão no setor. Com uma estrutura financeira sólida, vamos poder desenvolver mais trabalhos. Os cursos de capacitação de profissionais, por exemplo, estão atraindo interesse das empresas, cursos de gestão e liderança. Estamos gerando esses produtos em conjunto com entidades parceiras como o Sesi,  Fiergs, CBIC para que possamos levar esses serviços aos associados.  Temos informes econômicos em parcerias com a Fiergs e CBIC. Recentemente,  fomos eleitos vice-presidente da CBIC e o Ricardo Portella, da AREOP, como integrante do Conselho Consultivo, o que nos deixa conectados com a indústria e com a indústria da construção em nível nacional por meio da CBIC. Precisamos que o setor tenha maiores oportunidades, tanto no aspecto comercial, quanto na qualificação por meio de cursos, segurança jurídica e nós vamos continuar a buscar o que for melhor para o setor tanto no âmbito nacional quanto estadual.

Quais os grandes desafios pela frente?

De fato, temos grandes desafios. O primeiro é a precificação das obras que está horrível. Estamos trabalhando por meio da CBIC, da ANEOR, SICRO, nas modificações para o SINAPI, que foi criado para representar os preços na área rodoviária. Como modificar os preços e trazer esses custos para a realidade. Hoje existem critérios superestimados. A produtividade é muito grande. A mão de obra nas composições está abaixo da realidade. Os valores dos insumos estão defasados. Como modificar isso? A segunda questão envolve os desequilíbrios o que implica na necessidade de criar um regramento para esses casos. Terceiro ponto é garantia de recursos para o setor para que não haja descompassos quando ocorrem quedas de receitas, o que torna muito difícil retomar a normalidade, como ocorreu recentemente e que nos deixou com uma capacidade bem abaixo do atendimento da demanda, por falta de mão de obra, de máquinas, insumos e outras dificuldades.  Quarto ponto é a necessidade de formar mão de obra, que já está faltando, e viabilizar a oferta de insumos dada à inconstância do mercado devido aos monopólios.