Nova estatal do Brasil, a Infra S.A. atuará na produção de projetos estratégicos e na modernização da infraestrutura

A Infra S.A. é a mais nova estatal em operação do governo do Brasil. Resultado da fusão entre a Empresa de Planejamento e Logística (EPL) e a Valec – Engenharia, Construções e Ferrovias, ela foi criada por meio do Decreto nº 11.081, publicado em 25 de maio. Com isso, o Ministério da Infraestrutura deixará de ter duas empresas dependentes do Tesouro Nacional e reduzir custos de funcionamento. A ideia é propiciar maior autossuficiência e competitividade à nova empresa.

Todos os processos em andamento pelas estatais serão incorporados pela Infra S.A., como a construção dos trechos II e III da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e a fiscalização das obras da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) – empreendimentos administrados pela Valec. A Infra S/A também responderá pela elaboração do Plano Nacional de Logística (PNL) e por demais planos setoriais, desenvolvidos pela EPL.

A Infra S.A. também atuará em projetos de caráter estratégico para transformação digital e modernização da infraestrutura; suporte para gestão ambiental e territorial de projetos de infraestrutura; prestação de consultoria sobre infraestrutura para União, estados e municípios; e gestão do Documento Eletrônico de Transporte (DT-e).

A empresa responsável pela unificação, a Consultoria Falconi, prevê uma estatal mais enxuta com os cortes de gastos administrativos, além de mais ágil, com investimentos em conhecimentos gerenciais e técnicos. A projeção também cita ganhos de eficiência e aumento de produtividade para a Infra S.A.

Elemento determinante para impulsionar o PIB potencial do país, em 2021 a infraestrutura recebeu investimentos de 1,4%, quando o necessário para o aumento da produtividade seria o equivalente a 4%, afirma o economista Cláudio Frischtak, da consultoria Inter. B.

Quanto melhor a infraestrutura do país, observa ele, maior a produtividade de sua economia.
As péssimas condições das estradas, a falta de ferrovias e a má qualidade de portos e aeroportos também elevam os custos com logística. O gasto total com esse item no Brasil ficou em 13% do PIB em 2021, conforme estimativa da consultoria Ilos.

 A iniciativa privada é responsável, hoje, por 65% do dinheiro destinado à área, que atraiu um total de R$ 148,2 bilhões no ano passado. Mais R$ 160,6 bilhões estão previstos para 2022 até 2026, com base nas licitações programadas para esse período. Ainda assim, para reduzir os gargalos na infraestrutura de forma significativa, o país precisaria de investimentos anuais de R$ 374,1 bilhões até 2032, informa Venilton Tadini, presidente executivo da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústria de Base (Abdib).