Falta de mão de obra compromete obras em rodovias federais do RS

Mesmo com dinheiro em caixa, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) vem enfrentando problemas para garantir a execução de obras nas rodovias federais do Rio Grande do Sul. Há falta de mão de obra e dificuldade em conseguir os insumos necessários para as construções.  Apesar disso, a autarquia garante que vem buscando reprogramar o cronograma dos trabalhos das empresas a fim de as construções tenham o menor impacto possível. Até o momento, não há informações sobre alteração no prazo das obras.


“O DNIT esclarece que tem feito uma reprogramação do cronograma dos trabalhos de suas equipes para que a falta de mão de obra e de insumos no Rio Grande do Sul tenha o menor impacto possível em seus empreendimentos. O Departamento salienta que ainda está avaliando se haverá necessidade de alteração dos prazos de conclusão das obras”, informa nota do Dnit. 
Após reforço no caixa, o departamento ampliou investimentos na duplicação da BR-116 (entre Guaíba e Pelotas), na nova ponte do Guaíba e na duplicação da BR-290 (de Eldorado do Sul a Pantano Grande). Também investe na realização de projeto de uma nova ponte internacional, que irá ligar a cidade gaúcha Porto Xavier a San Javier, na Argentina. A realização de estudos para a ampliação da Rodovia do Parque está igualmente no foco.


As empresas gaúchas reconhecem essa dificuldade causada por crises que se sobrepuseram. Identificam que a diminuição no ritmo das obras fez com que os trabalhadores buscassem outros meios de sobrevivência. O prejuízo só não foi maior porque o governo do Estado conseguiu ampliar os investimentos nos últimos anos.

Setores da indústria, por terem margens mais elásticas, conseguem pagar um valor maior. O nosso setor hoje não consegue fazer, porque as nossas margens são muito baixas quando não são negativas. Qualquer oscilação mercadológica brusca de preço nos impacta diretamente. A gente trabalha hoje com margem de 2 a 3% torcendo para que não haja grandes distorções de custos unitários no mercado, em insumos-chave como cimento, asfalto, diesel, britas, enfim, aço, materiais de grande consumo, volume de consumo – avalia o presidente do Sindicato da Indústria da Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplenagem em Geral no Estado do Rio Grande do Sul (Sicepot), Rafael Sacchi.

RISCOS IDENTIFICADOS

Um estudo divulgado recentemente pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) apontou os principais eventos que podem causar dificuldades na gestão e na operação das empresas de transporte e danos a infraestruturas e sistemas estratégicos. Ao todo, 29 grandes riscos foram identificado que podem impactar o setor de transporte e logística no país. A escassez de mão de obra qualificada foi identificado como o terceiro maior problema atrás de alterações em leis e normas, que causam eventuais sobrecargas de tarifas e tributos, e o roubo de cargas.

SOLUÇÕES

As empresas terão que formar mão de obra e capacitar os trabalhadores. O Sicepot informa que tem tomado iniciativas neste sentido. 

Nós estamos fazendo um curso de qualificação de mão de obra para operadores de máquinas, por exemplo, que é uma área muito precária, que nós temos uma mão de obra muito limitada. Nós estamos fazendo uma parceria com o Senai, órgão do Sistema S responsável pela parte de qualificação de mão de obra. Estamos fazendo cursos de capacitação de áreas administrativas também, porque sim, já mapeamos, identificamos que isso é um entrave ao pleno desenvolvimento, ao pleno cumprimento do programa de investimentos do Estado e estamos correndo com isso – destaca Sacchi. 


O estudo da CNT ainda destaca a necessidade de se reforçar planejamentos e monitorar riscos. O desenvolvimento de carreiras e capacitação de pessoal também na administração pública auxiliaria no gerenciamento destes riscos.

Autor: JOCIMAR FARINA -GZH